Cozo Taguchi
Brazilian historian, journalist and writer

Cozo Taguchi

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Brazilian historian, journalist and writer
Gender:
Male
Places:
Birth:
25 April 1917
Death:
26 February 1977
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Introduction Trajetória Política Polêmica Comendas Morte Ligações externas
The details
Biography

Introduction

Cozo Taguchi (25 de abril de 1917 — 26 de fevereiro de 1977), filho de imigrantes japoneses, nascido em Araçatuba e radicado em Pereira Barreto, foi um ilustre e dedicado homem público, filósofo, jornalista e historiador paulista.

Trajetória Política

Eleito na primeira eleição pereira-barretense, em 1947, por 17 anos ocupou a Presidência da Câmara Municipal, tendo, em 1970, recebido na 12.ª Reunião da Família Municipalista Brasileira, na cidade de Bauru, o Diploma de "melhor Vereador do Ano" do Estado de São Paulo.

Sua participação está registrada em todos os projetos de desenvolvimento da cidade de Pereira Barreto, em educação, assistência médico-hospitar, assistência social, esportes e, principalmente, cultura. Sua trajetória foi registrada em Cozo Taguchi, Vida e Morte de um Bravo, escrita pelo radialista, jornalista e amigo pessoal, Gercy Barbosa.

Uma das grandes atuações desse ilustre político nipo-brasileiro registra-se a interatividade estabelecida entre a colônia japonesa e a política estadual. Cozo participou intensamente das negociações para a construção da Ponte Novo Oriente, inaugurada em 1935 e construída pelo Governo Japonês e Alemão.

Em homenagem à Cozo Taguchi, um busto de bronze foi instalado na principal praça de Pereira Barreto [Praça Comendador Jorge Tanaka, antiga Praça da Bandeira], em 1977, ano da ocasião de sua morte. Em 2003, devido à remodelação da praça, o busto foi instalado à frente da Câmara de Vereadores de Pereira Barreto. Cozo Taguchi é até hoje - passados 34 anos de sua morte - um dos políticos mais respeitados do Brasil.

Também em homenagem a ele, nomeou-se uma das principais ruas de Pereira Barreto, que corta a cidade em toda a sua extensão. A Rua Cozo Taguchi é uma das principais ruas do centro de Pereira Barreto.

Além de político, Cozo Taguchi era escritor, jornalista, historiador e contabilista, sendo o responsável pelo departamento contábil da Cooperativa Agrícola da Fazenda Tietê. Foi o fundador do Cine Itapura e desbravador da atual Fazenda Bonanza, área de sua propriedade. Também era comerciante, proprietário de um posto de gasolina instalado na rua Conselheiro Rui Barbosa, esquina com a Avenida Brasil. Um dos hobbies de Cozo era montar aparelhos de rádio e colocá-los para captar ondas e fornecer informações reais da Segunda Grande Guerra aos japoneses *** e contar histórias para as crianças na rua.

Polêmica

Na política, Cozo Taguchi marcou a história da cidade de Pereira Barreto, liderando um conflito com outros membros da Câmara por sua filosofia de que "vereadores não devem ter mordomias e nem mesmo ter salário". Cozo frequentava a Câmara de chinelos e terno, era uma pessoa simples, de reconhecida inteligência, inimigo de ostentações, com uma formação política e ideológica consolidada na filosofia de seu único partido: a Arena. Para ele, os políticos deveriam servir a população gratuitamente. "Se sou vereador, devo querer servir ao povo e não enriquecer à custa dele", dizia em seus discursos. Cozo foi o único político da região a ir contra a construção da Usina de Três Irmãos, no Rio Tietê, prevendo os impactos ambientais e sociais que prejucariam a estrutura da cidade. Durante toda a sua atuação como político, abriu mão de remuneração. Antes disso, Cozo Taguchi causou polêmica ao casar-se com dona Alice Carvalhaes Taguchi, realizando o primeiro enlace entre um nissei e uma brasileira.

      • Um dos episódios marcantes e polêmicos da trajetória de Cozo Taguchi era a capacidade de construir aparelhos de rádio, habilidade que adquiriu na infância, em Araçatuba. Seus aparelhos de rádios 'clandestinos' foram muito utilizados para que a colônia japonesa local pudesse obter informações verídicas a respeito dos acontecimentos da Segunda Grande Guerra (1945), inclusive a ocorrência das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Nesta época, os imigrantes japoneses estavam proibidos de se comunicarem na língua japonesa nas ruas, não podiam se aglomerar em grupos com mais de três pessoas, tinham horário para circularem nas ruas, e ainda havia a atuação da seita radical, Shindo Renmei, que manipulava as informações a respeito do Japão na Grande Guerra, fazendo muitos imigrantes acreditarem que o Japão tinha saído vitorioso. Na época, os rádios existentes nas casas dos japoneses tinham sido confiscados pela polícia para que os imigrantes não pudessem saber o que estava acontecendo.

Os aparelhos de rádio construídos por Cozo Taguchi não tinham caixas de som, mas um cordão de cobre que ia e voltava em forma de carretel e que conseguia captar as ondas de rádios de frequência AM de forma audível. As rádios, naquela época, anunciavam nomes de imigrantes que foram denunciados e seriam presos em seguida, acusados de pertencerem à "quinta coluna", assim como alguns alemães que moravam na região naquela época. (Quinta coluna era uma denominação que a polícia usava para acusar injustamente imigrantes japoneses no Brasil pelo simples fato de conversarem em japonês uns com os outros. Poucos falavam português e milhares foram presos por este motivo). Com os aparelhos de rádio construídos por Cozo Taguchi, muitos imigrantes tiveram a chance de se esconder antecipadamente ou aprender a falar português antes que a polícia chegasse para prende-los. Assim também aconteceu com Léo Liedtke, imigrante alemão que residia em Pereira Barreto na época, também acusado de pertencer à quinta coluna pelo simples fato de ser alemão e conversar com imigrantes japoneses. (Alemanha e Japão eram aliados na Segunda Grande Guerra). Posteriormente, Leo Liedtke Junior e Cozo Taguchi formaram dupla na política local.

Comendas

Cozo recebeu a comenda "Brigadeiro José Couto Magalhães", em 10 de agosto de 1968, em consideração a sua dedicação à História Pátria Brasileira; e a comenda "Kun Goto Kiyojitsu", outorgada pelo Governo Japonês, pelo seu trabalho desinteressado em prol da coletividade. Cozo Taguchi foi o segundo brasileiro a receber o título.

Morte

Cozo Taguchi sofreu um derrame, no dia 25 de fevereiro de 1977, ainda exercendo mandato como Presidente da Câmara Municipal. Chegou a ser levado, em uma aeronave, até a cidade de Araçatuba, mas faleceu no dia 26 de fevereiro de 1977. Seu corpo foi velado no recinto da Câmara Municipal de Pereira Barreto e transportado até o cemitério de Pereira Barreto em uma viatura dos Bombeiros. Na ocasião, houve grande tumulto e desespero da população, tanto os brasileiros como os japoneses, que queriam se despedir de seu mais brilhante e ilustre político. Até hoje, seu túmulo recebe homenagens, principalmente de membros da colônia e políticos. Deixou viúva, Alice Carvalhaes Taguchi, sete filhos (Luiz Antonio - também político - Celina, Marta, Marcos, Geraldo, Sueli e Maria de Fátima) e netos. A residência onde morou Cozo Taguchi está preservada pela família.

Ligações externas


"A construção de uma identidade não acabada: os nipo-brasileiros no interior de São Paulo". Ennes, Marcelo Alario. Editora Unesp, 2001.

"Pereira Barreto, a cidade que vi nascer - Jitsunobo Igi, 1970"